Tuesday, 2 June 2015

Nova moda: turismo é mau e quem tem coragem de o dizer é cool!

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Londres recebeu 19 milhões de turistas internacionais para uma população de 8 milhões de habitantes. Paris recebeu 16 milhões de turistas internacionais para uma população de 3 milhões de habitantes. Barcelona recebeu 7 milhões de turistas internacionais para uma população de 3 milhões de habitantes. Amesterdão recebeu 7 milhões de turistas internacionais para uma população de 1 milhões de habitantes. Milão recebeu 7 milhões de turistas internacionais para uma população de 2 milhões de habitantes. Roma recebeu 7 milhões de turistas internacionais para uma população de 3 milhões de habitantes. Viena recebeu 6 milhões de turistas internacionais para uma população de 2 milhões de habitantes.


O que é que está na moda agora, numa Lisboa que adora os pregos gourmet, a Vida Portuguesa de produtos típicos mas em modo gourmet, os quioskes da mesma Catarina Portas, a Padaria Portuguesa, versão gourmet das padarias / cafés que sempre existiram?
O que é que está na moda agora, numa Lisboa que adora ir a Londres e a Paris, fazer botellon nas ruas de Barcelona, que usa imenso o Airbnb para ficar em bairros autênticos e sentir o espírito local?
O que é que está na moda agora, numa Lisboa que está em crise há 7 anos, capital de um pais em crise há 7 anos, ponto de partida de milhares de portugueses que foram obrigados a emigrar por falta de trabalho e os que ficaram são cada vez mais explorados?
O que é que está na moda agora, numa cidade que envelheceu ao ponto de só ter 500 mil habitantes, onde Alfama e Mouraria são bairros para Santos mas só muito raramente para viver, numa cidade onde quase ninguém vai à Baixa mas o Colombo vive cheio?


Fossem todos passear para Xabregas ou para a Praça São Marcos em Veneza que voltavam logo a sentir o que era autêntico. Haja paciência para modas...

Sunday, 31 May 2015

Na terra da justiça e da saúde cegas

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O que é que o Estado e o hospital pretendem fazer?


Wednesday, 17 December 2014

Quote do dia

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"When I was a kid my brother and I used to pretend we were heroes with swords. We were the only ones who could save the day. but perhaps we set the bar a little bit high. Maybe we were just regular people, the ones who get saved".

Aidan Bloom, Wish I Was Here

Wednesday, 24 September 2014

Quote do dia

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Te escrevo pra dizer que eu não morri, que eu só voltei pra casa. Aqui nessa cidade subaquática, tudo pra mim faz mais sentido. Eu não preciso me esconder no mar pra me sentir em paz, nem preciso mergulha pra me sentir livre. E sempre quando me perguntam como era aí, do lado de fora, eu conto de um menino que acha que não tem coragem, mas que é o cabra mais corajoso que eu já vi. Magricela, quando todo mundo é forte. Voz fina, quando todo mundo é macho. Pés pequenos, quando todo mundo é firme. Conto do menino e digo que ele é meu irmão, que ele sou eu no dia que eu tiver coragem de aceitar o quanto que eu tenho medo das coisas. Porque tem dois tipos de medo e coragem, Speed. O meu é de quem finge que nada é perigoso, o seu é de quem sabe que tudo é perigoso, nesse mar imenso.’

Praia do Futuro

Friday, 19 September 2014

O amor perdura enquanto o dinheiro dura... o problema é que o dinheiro dura muito...

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Querem ver que nos estamos finalmente a atacar o nosso maior problema: a corrupção no Estado? Talvez...

Noiserv - Não Canto porque Sonho (Fausto Cover)

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Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
ao vê-los nus e suados.


Tuesday, 9 September 2014

Viajar, José Tolentino Mendonça

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A definição mais exacta que conheço de viajante devo-a a Jacques Lacarrière, que descrevia-o assim: "O verdadeiro viajante é aquele que a cada novo lugar recomeça a aventura do seu nascimento." Creio firmemente que o que está em jogo na viagem é esta tentativa, mais consciente ou implícita, de reconstrução de si, mesmo se as viagens nas sociedades de consumo se tornaram avulsas, formatadas, previsíveis e mais próximas da evasão eufórica que da interrogação. Contudo, as fronteiras exteriores reenviam-nos de forma persistente para uma fronteira interna, e há de ser sempre assim. A geografia tende inevitavelmente a tornar-se metafórica, e ninguém que caminhe sobre o mundo não acaba, a um certo momento, por dar-se conta, talvez com alegria talvez com dor, que vem caminhando dentro de si. "Amargo conhecimento é aquele que se retira da viagem" - dizia Baudelaire com o seu pessimismo avisado. Mas mesmo desse conhecimento amargo nós precisamos na justa porção, para tecer a inacabada inteireza do que somos.

Desenganem-se os que têm as viagens apenas por exteriores. Não é simplesmente a cartografia da paisagem que os homens palmilham. Deslocar-se, quer-se ou não, implica uma mudança de posição; uma alteração de ângulo habitual; uma exposição ao diverso; uma maturação do próprio olhar; um reconhecimento de que alguma coisa nos falta; uma adaptação a realidades, tempos e linguagens ou a descoberta de uma incapacidade para tal; um confronto inexcusável; um diálogo tenso ou deslumbrado que nos deixa, necessariamente, com uma tarefa ulterior. A experiência da viagem é a experiência da fronteira e do aberto, de que cada um de nós precisa para ser. Ela pode expressar apenas um estado de alma, um traço, constituir um sintoma, mas pode também relançar eficazmente o desejo, instaurando um corte providencial. Nesta multiplicidade de sentidos possíveis a viagem emerge como dispositivo hermenêutico fundamental, ao mesmo tempo janela e espelho.

É a nossa consciência que deambula, descobre cada detalhe do mundo e olha tudo de novo como pela primeira vez. A viagem é uma espécie de propulsor deste olhar novo. É uma lente. É um observatório levantado sobre a vida chã. Por isso, a viagem é capaz de introduzir na nossa existência, e nos seus quadros rotineiros, elementos que operam a recontextualização, que é um outro modo de referir-se à aventura do nascimento, que para cada pessoa está em curso, que nunca se encerra.

Mesmo a experiência de deriva, que muitas vezes parece resumir tantos relatos de viagem, deve ser questionada. Nenhum país é mais estrangeiro do que o nosso coração. E se não assumimos isso num trabalho pacientíssimo de integração e transformação, tornaremos cada lugar aonde cheguemos, por mais feliz e prometedor que seja, um exílio e uma terra de ninguém. O verdadeiro viajante é aquele que descobre a necessidade de bússolas simbólicas para a sua travessia. Bússolas em vez de derivas. 

Um último ponto. A quinquilharia exótica que os turistas arrastam como memória material da sua errância não passa de um equívoco. A viagem não tem nada para dar-nos, além da morte das nossas ilusões e de um novo nascimento. A viagem só tem a oferecer conhecimento. Isso é o que está reflectido no extraordinário poema de Konstantinos Kaváfis chamado "Ítaca": "(...) Não te apresses nunca na viagem./ É melhor que ela dure sempre muitos anos,/ que sejas velho já ao ancorar na ilha,/ rico do que foi teu pelo caminho,/ e sem esperar que Ítaca te dê riquezas./ Ítaca deu-te essa viagem esplêndida./ Sem Ítaca não terias partido./ Mas Ítaca não tem mais nada para dar-te."

Sunday, 7 September 2014

Quote do dia

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"O verdadeiro viajante é aquele que descobre a necessidade de bússolas simbólicas para a sua travessia. Bússolas, em vez de derivas"

Tolentino Mendonça

Tuesday, 19 August 2014

Portugal: retrato de uma elite

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Ontem alguém escreveu no seu wall do FB, com reflexo no meu newsfeed, o seguinte texto: “pergunta-se porque que é que as crianças dos anúncios tratam os pais por "tu". É assim em todo o Portugal? Que se lixe a troika, eduquem é as criancinhas”. Não há muito tempo, uma amiga minha tinha escrito que Relvas, na Assembleia, teria dito “treuze” (por azar, ela desconhece que em Lisboa muito boa gente diz “treuze”) e os comentários que se seguiram insultaram Relvas não pela sua total incapacidade para ser Ministro ou a sua total ausência de moral e espinha dorsal mas sua ausência de pedigree, obvio na escolha de certas palavras. Ainda há não muito tempo, quando falávamos das diferenças ao nível do cumprimento entre São Paulo (um beijo) e o Rio de Janeiro (dois beijos), passei a enorme vergonha de ter de explicar que em Portugal o número de beijos decorre da classe sócio-económica. Tal como os imensos códigos de linguagem – o tom arrastado, dar apenas um beijo, a alteração de certas palavras, como “supresa”, ou o abuso de outras, como “imenso”, a utilização do você (assim conhecido, apesar da palavra você nunca poder aparecer, seja porque motivo for), etc. E não foram poucas as vezes que assisti a discussões ou debates entre amigos e conhecidos onde salários públicos generosos eram colocados em perspectiva com argumentos como “com dois filhos num colégio isso já não chega para nada”.

Depois de ter vivido e trabalhado em 2 países além de Portugal (um mais desenvolvido e um menos desenvolvido), de ter trabalhado em outros dois (ambos menos desenvolvidos, sendo um deles o paraíso do novo riquismo; falo, obviamente, de Angola), de ter estudado, ainda que por pouco tempo, noutro país (mais desenvolvido), de ter viajado para mais de 20 países e de me ter relacionado com pessoas de provavelmente tantos países (uns mais e outros menos desenvolvidos), posso dizer que cheguei à conclusão que quanto maior o atraso cultural de um pais, quanto mais pobre ele é, quanto mais limitada é a sua elite, maior a necessidade desta mesma elite se distinguir dos “demais”, maior o esforço para se distanciar, não via exemplo mas via barreiras de entrada, códigos fechados, regras de conduta.

Num pais em crise, o problema não são os cortes na educação, a falta de apoio à cultura, os baixos níveis de investigação e empreendedorismo, a ausência de mão-de-obra qualificada em muitos setores, a fome, a miséria. Num pais corrupto como o nosso, o problema não é a impunidade, o lucro fácil, a ausência de incentivos, de modelos, de respeito, de vergonha, a falta de cultura democrática. Num pais pobre como o nosso, o problema não são os casos de violência doméstica, alcoolismo, absentismo e abandono escolar, um mecanismo de adopção profundamente incompetente, uma ausência de estruturas públicas de apoio para os mais carênciados. Não, o problema é o uso do “tu” e de “treuze”. C’orror! Que falta de maneiras e de educação. Ao estado a que isto já chegou...

Olho para parte desta elites e não consigo deixar de sentir o que senti em Angola: um pais de novos ricos é um pais sem futuro! 

Quando as elites fazem questão de mencionar pedigree (seja ela a classe social seja o dinheiro) a cada conversa, a cada frase, a cada palavra, quando têm horror de serem confundidos com a generalidade do seu povo, do seu país, da sua cultura, do sítio que os viu nascer e lhes alimentou a fortuna, a história, o dever, a responsabilidade, quando vivem tão descoladas da realidade que discutem salários, casas e iPhones como quem discute restos para comer, quando o importante são superficialidades e não valores, a forma e não os princípios, quando se confunde respeito e educação com regras e códigos, algo está profundamente errado.

Concordo com o meu amigo: “que se lixe a troika. Eduquem é as criancinhas”. Porque as gerações mais velhos, aparentemente, já não têm salvação...

(texto escrito em Março de 2013)

Tuesday, 29 July 2014

Tiago Bettencourt - Canção de Engate

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Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
E a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém
E eu sou melhor que nada

Sunday, 15 June 2014

Quote do dia

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For all of the most important things, the timing always sucks. Waiting for a good time to quit your job? The stars will never align and the traffic lights of life will never all be green at the same time. The universe doesn't conspire against you, but it doesn't go out of its way to line up the pins either. Conditions are never perfect. "Someday" is a disease that will take your dreams to the grave with you. If it's important to you and you want to do it "eventually," just do it and correct course along the way.

Timothy Ferriss, The 4-Hour Work Week

Wednesday, 4 June 2014

Maus políticos + maus jornalistas = Mau futuro

1 comment:
- Os governos dos últimos 13 anos não foram capazes de... - António Costa.
- Isso aconteceu durante governos PS... - José Alberto Carvalho.
- Isso aconteceu ao longo destes 13 anos... - António Costa.
(entrevista continua)



Para quem não se lembra, António Costa foi:
- Ministro de Estado e da Administração Interna do XVII Governo Constitucional de 12 de Março de 2005 a 17 de Maio de 2007
- Ministro da Justiça do XIV Governo Constitucional de 25 de Outubro de 1999 a 6 de Abril de 2002
- Ministro dos Assuntos Parlamentares do XIII Governo Constitucional de 25 de Novembro de 1997 a 25 de Outubro de 1999
- Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares do XIII Governo Constitucional de 30 de Outubro de 1995 a 25 de Novembro de 1997

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